terça-feira, 7 de junho de 2011

Cardume de gente

As pessoas podiam ser como peixes, que nadam juntos,caçam juntos…
Bichinhos geneticamente preparados para proteger-se com o todo… faz de bobo o tubarão faminto e o peixe espada astuto…nem a foca sorrateira é ligeira o bastante para garantir o seu banquete.
 Será que o coletivo protege o individual?Ouso dizer que sim…às vezes pro bem…às vezes pro mal.O menino tímido na sala, se esconde no grupo descolado… quase derrete quando questionado.
Coletivo também é abrigo seguro dos brilhos que tem fotofobia, das vozes que gaguejam, dos olhares que tem medo de falar. Cadê meu bando? Aonde foi o meu cardume?! Não me ensinaram a ser um só.
O homem…ser gregário que cresceu em grupo, dançando os grandes ciclos da evolução, é único…essa célula potente do organismo “grupo”, do movimento “cardume”, pulsa no ritmo dos “Bandos”,no som da multidão…
…ouvi dizer por aí que “eu sou o grupo, o grupo sou eu”… será que me acho naquele montinho de gente? Quantas células de entusiasmo eu precisaria para mudar a direção dos cardumes deprimidos?
E peixe deprimido anda em grupo? Duvido que um cardume não se cure…basta um peixinho mais tônico de nascença para a vitalidade arrebatar o todo.
Queria falar a língua dos peixes e quem sabe descobrir os mistérios do mar…esse imenso e intenso organismo que emite sons , exala perfumes, angustia pulmões e corações. Todas as mentes inquietas de cientista,surfistas e marujos o desejam desbravar… mergulhando navegando,contemplando esse gigante chamado mar …
 Existência,mar,indivíduo, gota …por que me lembram a solidão?Talvez uma fina camada de solitude protegeria a membrana das particularidades na medida certa ,permitindo que a diversidade me atravesse e multiplique as possibilidades . Entender-se um, sentir-se todo, lançar-se no mundo de tudo, seja só ou no “cardume”…essa obra de arte fluida,viva,dançante…que dita ritmos e nos assalta o desânimo.
Quem aprende a viver e ser em cardume sempre reencontra a direção.

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