domingo, 10 de outubro de 2010

Não fui eu

Não fui eu ...Juro que não fui eu
desculpa eu só queria dizer que...
eu achei que podia ter feito assim...
Não fui eu que falei... juro não fui eu

A culpa é deles...
Eles é que disseram pra fazer assim
Eu ia fazer mas não deu...
Você também nem me avisou antes

Palavras que pesam e fazem a espontaneidade secar.
É proibido errar, tudo será investigado e punido...
"quero saber quem foi que fez isso?"
Quem não for perfeito não serve,não pode existir.
Duelos, jogos de palavras ditas e não ditas que envenenam as relações.

"Tenho medo de fazer errado e ser demitido"
"Tenho medo de decepcioná-lo e perder sua amizade"
"Tenho medo dela enjoar de mim e pedir pra terminar"

Cadê a capacidade de reedição? A criatividade de criar a partir do que já existe?! Mudar a direção sem desistir da viagem.
Esse é o grande segredo, ou pelo menos um dos maiores... até porque o mistério nas relações é a chama mantenedora da distância saudável. A distância que nos permiti errar e continuar existindo com dignidade e singularidade.
Não sabe o que fazer? Tome uma distância e perceba se deve realmente fazer algo. Ás vezes fazer nada é muita coisa. Ás vezes assumir o não saber promove uma sensação de liberdade e autonomia que cura por um instante todas as angustias. A liberdade que nos diz "você pode tudo, até errar e não saber o que virá pela frente". Tudo bem se  horas depois o pote de dúvidas e medos ficar cheio de novo, é assim mesmo... Aceitar essa dinâmica é aceitar que não controlamos a vida e aí sim começar a vivê-la com o comichão na barriga  de quem nunca viveu outra vida antes , ou pelo menos não se lembra.Aceitar que somente de vez em quando o controle está na mão e relaxar com vontade de rir de si mesmo numa cumplicidade incondicional. Sou minha melhor parceira e a gente se diverte muito com as esquisitices que vém de dentro e de fora. Parar um pouco de tentar entender tudo o que o outro quer dizer ou não, com aquele gesto,aquela palavra,aquele olhar... Discutir relação?... num sei... falar de desconfortos específicos ou dar limites pontuais humanamente talvez seja uma possibilidade para uma caminhada acompanhada. 
To escrevendo isso, mas pode ser que tudo mude daqui a pouco e assumir isso é muito libertador, sinto que ganhei mais um pulmão para respirar, gritar,suspirar e prender o ar se quiser ficar quietinha no fundo do mar das coisas que não entendo e pode ser que nunca vá entender.

Nenhum comentário:

Postar um comentário