domingo, 10 de outubro de 2010

Amor balde furado

"Então tome Estricnina e morra!!... Disse a menina magrela para a mãe que estava do outro lado da linha.
Filha boca farpada dizendo que cada um tem a sua escolha.A poesia ás vezes vai embora, pega as malas e vai pra sempre. Alguns tentam resgatá-la missa de domingo, no batizado da neta da vizinha,no casamento da filha do meio... e aí... todos se amam por algumas horas. Um amor balde furado que parece transbordar,mas escapa por uma rachadura sem que ninguém perceba.
" É mãe,fica tranquila... essas coisas são assim mesmo..." ,disse a filha com a voz mais doce e o olhar mais terno. Como pode?! Há um minuto atrás imaginei sua mãe na cruz com a coroa de espinhos e de repente,com a rapidez de um vento que levanta saias tudo mudou. Será que ela chora?Será que ela precisa de alguém? Não imagino ela frágil pedindo um colo,um cafuné ou dizendo "eu só quero chorar,cuida de mim?"
Algumas testas franzidas jamais suavizarão.Semblante sisudo de quem tem sempre razão. Olha o relógio e parece estar sempre atrasada ou esperando alguém que a fez esperar eternos 5 minutos. O tempo... ah esse tal de tempo, falar dele é uma outra história.

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